RECIFE — A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito policial para apurar as causas e as circunstâncias de um incêndio de grandes proporções que destruiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) no campus Recife da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Este foi o terceiro incêndio registrado em instalações da universidade em um intervalo de uma semana. O incidente gerou um prejuízo material estimado em R$ 100 milhões e resultou na perda irreparável de até 20 anos de dados acumulados e acervos científicos.
O fogo, que começou na noite de quarta-feira (7) e foi controlado pelo Corpo de Bombeiros na madrugada de quinta-feira (8), destruiu laboratórios essenciais focados em áreas como fármacos, informática e genética. Estudantes e pesquisadores relataram que o local abrigava amostras e projetos cruciais dedicados ao estudo de câncer, Covid-19, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Autismo. O reitor Alfredo Gomes lamentou a destruição, pontuando que cerca de 80 dissertações e teses de doutorado em andamento foram afetadas. Ninguém ficou ferido.
Contexto de Tensão Política e Suspeita de Sabotagem
A sequência rápida de sinistros no campus inflamou discussões acerca de uma possível motivação criminosa. No dia 30 de setembro, as chamas atingiram o Laboratório de Óptica Não-Linear do Departamento de Física. Poucos dias depois, no domingo (4), um segundo foco ocorreu no Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal.
A destruição do terceiro edifício aconteceu um dia após mobilizações e protestos estudantis realizados no campus em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em defesa da democracia. Parlamentares e lideranças políticas locais e nacionais, como o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), trouxeram a público denúncias de que estudantes e setores da universidade receberam mensagens com ameaças explícitas de violência política horas antes do incêndio começar.
As suspeitas ganharam força após relatos sobre prints de um grupo de WhatsApp chamado “Campistas com Bolsonaro”, no qual supostos apoiadores do candidato à presidência Flávio Bolsonaro trocavam informações táticas sobre os eventos acadêmicos. De acordo com as denúncias encaminhadas às autoridades policiais, integrantes do grupo compartilhavam intimidações e faziam ameaças de bomba e explosões direcionadas a outros departamentos e ao Restaurante Universitário da instituição.
Resposta Institucional e Paralelo com Outros Ataques
Embora a perícia técnica da Polícia Federal ainda esteja avaliando a estrutura do prédio para definir se a causa foi acidental ou fruto de um ataque planejado, órgãos como a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Educação (MEC) designaram comissões para acompanhar o caso de perto. O clima de insegurança política ecoa outras denúncias recentes sob investigação de autoridades federais, como a onda de atos de vandalismo e ataques dirigidos a imagens de Nossa Senhora Aparecida, também atribuídos pela militância de oposição a extremistas e eleitores radicais no atual cenário de forte polarização eleitoral.
As aulas teóricas na UFPE foram mantidas, mas a comunidade acadêmica e entidades estudantis como o Diretório Central dos Estudantes (DCE) cobram rigor máximo na identificação dos envolvidos para garantir a segurança física dentro das universidades públicas.
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Fonte G1
Da Redação.